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sábado, 7 de abril de 2012

Nova Cosmologia e Libertação





NOVA COSMOLOGIA E  LIBERTAÇÃO
Leonardo Boff, Filósofo e Teólogo
Tempos atrás o Museu Americano de História Natural fez uma consulta entre biólogos  perguntando se eles acreditavam que estávamos no meio de uma extinção em massa. 70% responderam positivamente que sim. O renomado cosmólogo Brian Swimme, autor junto com Thomas Berry de uma das mais brilhantes narrativas da história do Universo (The Universe Story, 1992) foi perguntado o que poderíamos fazer, respondeu: ”O universo já vem, há tempos, fazendo a sua parte para deter o desastre; mas nós temos que fazer a nossa. E o faremos mediante o despertar de uma nova consciência cosmológica, vale dizer, se ajustarmos  nossas condutas à lógica do Universo. Mas não estamos fazendo o suficiente”.
Que quer dizer esta resposta? Ela acena para uma nova  consciência que assume a responsabilidade coletiva com referência à proteção de nossa Casa Comum e à salvaguarda de nossa civilização. E ajustar nossas condutas à lógica do Universo significa responder aos apelos que nos vem do assim chamado “princípio cosmogênico”. Este é o que estrutura a expansão e a autocriação do universo com todos os seus seres inertes e vivos. Ele se manifesta por três características: a diferenciação /complexificação;a subjetividade/interiorização; e a interdependência/comunhão.
Em palavras mais simples: quanto mais o universo se expande, mais se complexifica: quanto mais se complexifica mais ganha  interiorização e a subjetividade (cada ser tem seu modo próprio de se relacionar e fazer a sua história) e quanto mais ganha interiorização e subjetividade  mais os seres todos entram em comunhão entre si e reforçam sua interdependência no quadro de um pertencimento a um grande Todo.
Comentam Berry/Swimme: ”Se não tivesse havido complexidade (diferenciação), o universo ter-se-ia fundido numa massa homogênea; se não tivesse havido subjetividade, o universo ter-se-ia tornado uma extensão inerte e morta: se não tivesse havido comunhão, o universo ter-se-ia transformado num número de eventos isolados”.
Nós teólogos da libertação, em quarenta anos de reflexão, temos  tentado explorar as dimensões econômicas, sociais, antropológicas e espirituais da libertação como resposta às opressões específicas. No contexto da crise ecológica generalizada, estamos tentando  incorporar esta visão cosmológica. Esta nos obrigou a quebrar o paradigma  convencional com o qual organizávamos nossas reflexões, ligadas  ainda à cosmologia mecanicista e estática. A nova cosmologia vê diferentemente o universo, como um processo incomensurável de evolução/expansão/criação, envolvendo tudo o que se passa em seu interior, também a consciência e sociedade.
Em termos do princípio cosmológico, libertação pessoal significa: libertar-se de amarras  para sentir-se em comunhão com todos os seres e com o universo,  fenômeno que os budistas chamam de “iluminação” (satori), uma experiência de não-dualidade e que São Francisco viveu no sentido de uma irmandade aberta com todos os seres. Em termos sociais, a libertação, à luz do princípio cosmogênico é: a criação de uma sociedade sem opressões onde as diversidades são valorizadas e expandidas (de gênero, de culturas e caminhos espirituais). Isso implica deixar para trás a monocultura do pensamento único na política, na economia e na teologia oficial. Este é o principal fator de opressão e de homogeneização.

A libertação requer também um aprofundamento da interioridade. Esta já não se satisfaz com o mero consumo de bens materiais; pede valores ligados à criatividade, às artes, à meditação e à comunhão com a Mãe Terra e com o Universo. A libertação resulta do reforço da “matriz relacional” especialmente com aqueles que sofrem injustiças e são excluídos. Esta matriz nos faz sentir  membros da comunidade de vida e filhos e filhas da  Mãe Terra que por nós sente, ama, cuida e se preocupa pelo futuro comum. Por fim, a libertação na perspectiva cosmogênica demanda uma nova consciência de interdependência e de responsabilidade universal. Somos chamados a reinventar nossa espécie, como o fizemos no passado nas várias crises pelas quais a humanidade passou. Agora ela é urgente porque não temos muito tempo e  devemos estar à altura dos desafios da atual crise da Terra.
Recebido de Fábio de Oliveira
Portado Pelo Professor Beserra - 

domingo, 11 de março de 2012

Mancha solar ativa provoca tempestades geomagnéticas na Terra


Mancha solar ativa provoca tempestades geomagnéticas na Terra



Atualização: 9 de março - 10h00
Bombardeio solar não para e castiga ainda mais a Terra nesta sexta-feira
Uma poderosa carga de partículas carregadas está bombardeando a atmosfera terrestre desde as primeiras horas dessa sexta-feira, com potencial suficiente para provocar blecautes de radiopropagação e intermitências em equipamentos elétricos. A intensidade é maior que a observada ontem e que produziu auroras no hemisfério norte.

Desde as primeiras horas de sexta-feira, magnetômetros instalados na Universidade do Alasca, no círculo polar Ártico, estão registrando fortes desvios no campo magnético da Terra. Entre às 0600 BRT e 09h00 BRT, anomalias de até 600 nT (nanoteslas) foram registradas na componente vertical do campo magnético, provocando uma espécie de compressão nas linhas do fluxo magnético.
Às 00h13 BRT, um desvio de 500 nT foi registrado na componente H do campo magnético. Normalmente, anomalias fortes nessa componente causam desvios significativos em bússolas localizadas nas latitudes acima de 50 graus norte, mas que podem ser notados também em latitudes inferiores.

Como consequência do bombardeio dessa sexta-feira, o índice KP que mede a instabilidade na ionosfera saltou de KP-4 registrado às 21h00 BRT de quinta-feira para KP-7, às 09h00 BRT de sexta-feira. Países localizados na faixa do círculo polar ártico podem estar experimentando auroras mais intensas que as do dia anterior. Os valores KP deverão baixar ao longo do dia, à medida que o nível de ionização da ionosfera diminui.
O origem de todas as tormentas geomagnéticas observadas é a mancha solar 1429, que há 3 dias tem provocado fortes ejeções de massa coronal (CME) que estão arremessando bilhões de toneladas de gás ionizado em direção à Terra. Aqui, as partículas são bloqueadas e desviadas pelo campo magnético natural do planeta que as conduz na direção dos polos. O choque produz as chamadas tempestades geomagnéticas, com os inúmeros efeitos que podem ser lidos abaixo.
Artes: No topo, aurora boreal observada na cidade de Yellowknife, no Canadá, em 8 de março de 2012, como consequência da forte tempestade geomagnética. Acima, imagem do magnetômetro operado pela Universidade do Alasca mostra os momentos em que as partículas carregadas iniciaram o bombardeio na ionosfera, provocando forte desvio no campo magnético terrestre. Créditos: Reprodução de Canadian Press / Bill Braden, Universidade do Alasca, Haarp Project, Apolo11.com.
Atualização: 8 de março - 09h00
Tempestades magnéticas devem castigar a ionosfera nesta quinta-feira
Novas tempestades magnéticas de alta intensidade estão previstas para essa quinta-feira, 8 de março. Essas tormentas deverão elevar o nível KP que mede a instabilidade na ionosfera e os valores poderão atingir o nível 6.

Uma ejeção de massa coronal (EMC) ocorrida próxima à mancha solar 1429 às 21h24 BRT do dia 7 de março se propagou pelo espaço em direção à Terra a 2200 km/s (7.92 milhões de km/h) e deverá atingir a magnetosfera terrestre nas primeiras horas da manhã de quinta-feira.
O evento poderá provocar blecautes de radiopropagação, intermitências em equipamentos elétricos, reboots em computadores a bordo de satélites e dificuldades de travamento e sincronismo (lock) em receptores de GPS.
Essa anomalia magnética deverá durar por pelo menos 24 horas, quando é esperado um declínio dos níveis de ionização da ionosfera.
O gráfico acima mostra a anomalia do campo magnético terrestre obsevada no campus da universidade do Alasca durante a chegada das partículas carregadas provenientes da EMC ocorrida às 21h28 BRT de terça-feira, dia 6. O impacto das partículas elevou o nível KP para 6, valor que merece atenção.
7 de março 2012
Mancha solar ativa provoca tempestades geomagnéticas na Terra
A atividade da mancha solar 1429 vem aumentando e nas últimas horas foram observados diversos flares e ejeções de massa coronal de grande intensidade. Durante a madrugada, partículas carregadas ejetadas da estrela atingiram o campo magnético da Terra, provocando tempestades geomagnéticas que atingiram o nível KP-6.

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Esse impacto foi provocado pela ejeção de massa coronal (CME) ocorrida na manhã do dia 6 de março, próxima à gigantesca mancha solar 1429.
Às 21h28 BRT de terça-feira, dia 6, outra CME ainda mais forte foi registrada na mesma região do Sol. O evento produziu um forte flare de classe X5, provocando um verdadeiro bombardeio de prótons que atingiu diretamente o satélite de observação solar SOHO. Essa emissão está nesse momento bombardeando o campo magnético da Terra e poderá provocar blecautes de radiopropagação e auroras boreais nas latitudes elevadas.
Para percorrer os 149 milhões de km que separam a Terra do Sol, as partículas carregadas viajaram a cerca de 6 milhões de km por hora.
De acordo com o Centro de Previsão de Clima Espacial dos EUA, SWPC, existem chances de ocorrerem novos flares de grande intensidade entre 7 e 9 de março.
Devido à posição da mancha solar 1429 estar se voltando em direção à Terra, podemos esperar mais instabilidades na ionosfera, que poderão atingir ou superar o nível KP-6.
Importante
Apesar do intenso bombardeio de radiação, não existem riscos para pessoas ou animais. O efeito maior é causado nas altas camadas da atmosfera, especialmente a ionosfera, onde poderão ocorrer distúrbios capazes de bloquear transmissões de rádio em baixa frequência. Não estão descartadas possibilidades de desvios significativos em bússolas nas latitudes equatoriais, assim como pequenos erros de geolocalização por GPS.

Partículas Carregadas
Após uma explosão solar ocorre a chamada "ejeção de massa coronal", uma gigantesca quantidade de gás ionizado que é emanado do Sol a velocidades altíssimas que superam facilmente a marca de 1 milhão de km/h.
Quando essa ejeção de partículas vem na direção da Terra, são bloqueadas e desviadas pelo campo magnético natural do planeta que as conduz na direção dos polos. O choque produz as chamadas tempestades geomagnéticas, com os inúmeros efeitos já descritos.

Consequências
Como vimos, a primeira consequência é a possibilidade de auroras boreais nas latitudes mais elevadas, provocadas pela ionização dos átomos de nitrogênio e oxigênio na atmosfera superior. Excitado, o nitrogênio emite fótons no comprimento de luz verde enquanto o oxigênio emite luz no espectro do vermelho.
Com relação às telecomunicações, as principais interferências ocorrem nos comprimentos de onda de frequências muito baixas - VLF - onde operam equipamentos de navegação e orientação de barcos e aeronaves. No entanto, devido à redundância de instrumentos utilizados para orientação e o uso de sistemas inerciais de orientação, esse seguimento é pouco afetado por tempestades solares.
GPS
Embarcações que utilizam exclusivamente GPS para orientação poderão também perceber pequenos erros de posicionamento. O motivo é que esses instrumentos baseiam-se no tempo que as ondas eletromagnéticas chegam até o receptor. Durante as tempestades geomagnéticas a ionosfera terrestre se torna mais densa no comprimento de onda utilizado pelo sistema GPS, retardando em alguns microssegundos a recepção dos sinais. No entanto, modelos computacionais conhecidos como Ionosferic Delay permitem aos operadores do sistema levar em conta esse atraso, introduzindo correções para que o erro seja minimizado.
Satélites e Redes Elétricas
Tempestades solares intensas também são responsáveis por danificar equipamentos a bordo de satélites e aumentar o arrasto deles na atmosfera, tornando frequente a necessidade de reposicionamento para que seja mantida a órbita programada.
O setor elétrico também sofre com as perturbações do Sol, que geram correntes elétricas induzidas nas linhas de transmissão. Dependendo da intensidade da tempestade e da região do planeta, as correntes induzidas podem danificar transformadores e em casos mais graves até mesmo explodir equipamentos, principalmente se localizados nas latitudes elevadas.
Fotos: No topo, imagem captada pelo satélite Laboratório de Dinâmica Solar, SDO, da Nasa. A cena mostra a violenta erupção de classe X5, ocorrida às 21h28 BRT do dia 6 de março de 2012, vista no comprimento do ultravioleta extremo. Acima, animação mostra o intenso bombardeio de prótons a que foi submetido o satélite de observação solar SOHO após a explosão. Créditos: Nasa/SDO, NASA/ESA/SOHO, Apolo11.com.
 
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sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Grande Contradição Brasileira - Leonardo Boff


A Grande Contradição Brasileira
Leonardo Boff, Filósofo e Teólogo


Mais e mais cresce a convicção, inclusive entre os economistas seja do stablisment seja da linha neokeynesiana, de que nos acercamos perigosamente dos limites físicos da Terra. Mesmo utilizando novas tecnologias, dificilmente poderemos levar avante o projeto do crescimento sem limites. A Terra não aguenta mais e somos forçados a trocar de rumo.
Economistas como Ladislau Dowbor entre nós, Ignace Sachs, Joan Alier, Herman Daly, Tim Jack e Peter Victor e bem antes Georgescu-Roegen incorporam organicamente o momento ecológico no processo produtivo. Especialmente o inglês T. Jack se celebrizou pelo livro “Prosperidade sem crescimento” (2009) e o canadense P. Victor pelo “Managing sem crescimento” (2008). Ambos mostraram que o aumento da dívida para financiar o consumo privado e público (é o caso atual nos países ricos), exigindo mais energia e uso maior de bens e serviços naturais não é de modo algum sustentável.

Os Prêmios Nobel como P. Krugman e J. Stiglitz, porque não incluem explicitamente em suas análises os limites da Terra, caem na armadilha de propor como saída para a crise atual um maior gasto público no pressuposto de que este produzirá crescimento econômico e maior consumo com os quais se pagarão mais à frente as astronômicas dívidas privadas e públicas. Já dissemos à saciedade, que um planeta finito não suporta um projeto desta natureza que pressupõe a infinitude dos bens e serviços. Esse dado já é assegurado.

O que Jack e Victor propõem é uma “prosperidade sem crescimento”. Nos países desenvolvidos o crescimento atingido já é suficiente para permitir o desabrochar das potencialidades humanas, nos limites possíveis do planeta. Então chega de crescimento. O que se pode pretender é a “prosperidade” que significa mais qualidade de vida, de educação, de saúde, de cultura ecológica, de espiritualidade etc. Essa solução é racional mas pode provocar grande desemprego, problema que eles resolvem mal, apelando para uma renda universal básica e uma diminuição de horas de trabalho. Não haverá nenhuma solução sem um prévio acerto de como vamos nos relacionar com a Terra, amigavelmente, e definir os padrões de consumo para que todos tenham o suficiente e o decente.
Para os países pobres e emergentes se inverte a equação. Precisa-se de “crescimento com prosperidade”. O crescimento é necessário para atender as demandas mínimas dos que estão na pobreza, na miséria e na exclusão social. É uma questão de justiça: assegurar a quantidade de bens e serviços indispensáveis. Mas simultaneamente deve-se visar a prosperidade que tem a ver com a qualidade do crescimento. Há o risco real de que sejam vítimas da lógica do sistema que incita a consumir mais e mais, especialmente bens supérfluos. Então acabam agravando os limites da Terra, coisa que se quer exatamente evitar. Estamos face a um angustiante círculo vicioso que não sabemos como fazê-lo virtuoso sem prejudicar a sustentabilidade da Terra viva.
A contradição vivida pelo Brasil é esta: urge crescer para realizar o que o governo petista fez: garantir os mínimos para que milhões pudessem comer e, por políticas sociais, serem inseridos na sociedade.  Para as classes já atendidas, precisa-se cobrar menos crescimento e mais prosperidade: melhorar a qualidade do bem viver, da educação, das relações sociais menos desiguais e mais solidariedade a partir dos últimos. Mas quem vai convencê-los se são violentamente cooptados pela propaganda que os incita ao consumo?  Ocorre que até agora os governos apenas fizeram políticas distributivas: repartiram desigualmente os recursos públicos. Primeiro garantem-se 140 bilhões de reais para o sistema financeiro a fim de pagar a dívida pública, depois para os grandes projetos e somente cerca de 60 bilhões para as imensas maiorias que só agora estão ascendendo. Todos ganham mas de forma desigual. Tratar de forma desigual a iguais é grande injustiça. Nunca houve políticas redistributivas: tirar dos ricos (por meios legais) e repassar aos que mais precisam. Haveria equidade.
O mais grave é que com a obsessão do crescimento estamos minando a vitalidade da Terra. Precisamos de um crescimento mas com uma nova consciência ecológica que nos liberte da escravidão do produtivismo e do consumismo. Esse é o grande desafio para enfrentar a incômoda contradição brasileira.

Leonardo Boff escreveu Sustentabilidade: o que é e o que não é, Vozes, Petrópolis 2012.
Recebido do amigo ativista verde Fábio Oliveira

Postado na Rede Pelo Professor Beserra
11/84645220 – 6435-0934 -

quinta-feira, 16 de junho de 2011

SUSTENTABILIDADE E CUIDADO: UM CAMINHO A SEGUIR - Leonardo Boff




Leonardo Boff, filósofo e teólogo


Há muitos anos, venho trabalhando sobre a crise de civilização que se abateu perigosamente sobre a humanidade. Não me contentei com a análise estrutural de suas causas, mas através de inúmeros escritos, tratei de trabalhar positivamente as saídas possíveis em termos de valores e princípios que confiram real sustentabilidade ao mundo que deverá vir. Ajudou-me muito, minha participação na elaboração da Carta da Terra, a meu ver, um dos documentos mais inspiradores para a presente crise. Esta afirma: ”o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal”.

Dois valores, entre outros, considero axiais, para esse novo come-ço: a sustentabilidade e o cuidado.

A sustentabilidade, já abordada no artigo anterior, significa o uso racional dos recursos escassos da Terra, sem prejudicar o capital natural, mantido em condições de sua reprodução, em vista ainda ao atendimento das necessidades das gerações futuras que também têm direito a um planeta habitável.

Trata-se de uma diligência que envolve um tipo de economia respeitadora dos limites de cada ecossistema e da própria Terra, de uma sociedade que busca a equidade e a justiça social mundial e de um meio ambiente suficientemente preservado para atender as demandas humanas.

Como se pode inferir, a sustentabilidade alcança a sociedade, a política, a cultura, a arte, a natureza, o planeta e a vida de cada pes-soa. Fundamentalmente importa garantir as condições físico-químicas e ecológicas que sustentam a produção e a reprodução da vida e da civilização. O que, na verdade, estamos constatando, com clareza crescente, é que o nosso estilo de vida, hoje mundializado, não possui suficiente sustentabilidade. É demasiado hostil à vida e deixa de fora grande parte da humanidade. Reina uma perversa injustiça social mundial com suas terríveis sequelas, fato geralmente esquecido quando se aborda o tema do aquecimento global.

A outra categoria, tão importante quanto a da sustentabilidade, é o cuidado, sobre o qual temos escrito vários estudos. O cuidado representa uma relação amorosa, respeitosa e não agressiva pa-ra com a realidade e por isso não destrutiva. Ela pressupõe que os seres humanos são parte da natureza e membros da comunidade biótica e cósmica com a responsabilidade de protegê-la, regenerá-la e cuidá-la. Mais que uma técnica, o cuidado é uma arte, um paradigma novo de relacionamento para com a natureza, para com a Terra e para com os humanos.

Se a sustentabilidade representa o lado mais objetivo, ambiental, econômico e social da gestão dos bens naturais e de sua distribuição, o cuidado denota mais seu lado subjetivo: as atitudes, os valores éticos e espirituais que acompanham todo esse processo sem os quais a própria sustentabilidade não acontece ou não se garante a médio e longo prazo.

Sustentabilidade e cuidado devem ser assumidos conjuntamente para impedir que a crise se transforme em tragédia e para conferir eficácia às práticas que visam a fundar um novo paradigma de convivência ser-humano-vida-Terra. A crise atual, com as severas ameaças que globalmente pesam sobre todos, coloca uma impostergável indagação filosófica: que tipo de seres somos, ora capazes de depredar a natureza e de por em risco a própria sobrevivência como espécie e ora de cuidar e de responsabilizar-nos pelo futuro comum? Qual, enfim, é nosso lugar na Terra e qual é a nossa missão? Não seria a de sermos os guardiões e os cuidadores dessa herança sagrada que o Universo e Deus nos entregaram que é esse Planeta, vivo, que se autoregula, de cujo útero todos nós nascemos?

É aqui que, novamente, se recorre ao cuidado como uma possível definição operativa e essencial do ser humano. Ele inclui um certo modo de estar-no-mundo-com-os-outros e uma determinada práxis, preservadora da natureza. Não sem razão, uma tradição filosófica que nos vem da antiguidade e que culmina em Heidegger e em Winnicott defina a natureza do ser humano como um ser de cuidado. Sem o cuidado essencial ele não estaria aqui nem o mundo que o rodeia. Sustentabilidade e cuidado, juntos, nos mostram um caminho a seguir.

Recebido de Fábio Oliveira
Postado pelo Professor João Beserra da Silva
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segunda-feira, 28 de junho de 2010

O horizonte da economia

O horizonte da economia

Marcus Eduardo de Oliveira (*)

Basicamente, pode-se agregar à Economia duas orientações básicas: 1) Ser funcionalista; 2) Ser dialética.
No que concerne às funções vitais (ser funcionalista), a Economia se apresenta em algumas dimensões próprias, a saber: estuda o comportamento dos homens; estuda o processo de escolhas; estuda os conflitos entre a existência de recursos limitados e o atendimento aos amplos, diversificados e ilimitados desejos das pessoas; estuda as diferentes possibilidades de produção. A função vital dessa ciência, na essência, guardadas suas sutilezas, é a de proporcionar satisfação às pessoas.
Quanto à sua orientação em ser dialética, no sentido de provocar a discussão (o diálogo), ainda que em tom laudativo ou pejorativo, as Ciências Econômicas ganha um aspecto mais interessante, pois nem sempre (ou quase nunca) há consenso entre os economistas. Não por acaso, a arte da discussão entre os economistas, em sentido geral, é um dos pontos que mais chama a atenção dos observadores. Tomemos, nesse pormenor, a discussão em torno da questão conflitante ou amistosa entre o campo econômico e o social.
Há alguns que consideram os mercados, por exemplo, como construtores do campo social. Esses enxergam que os mercados operam, sempre, de modo o patrocinar o bem comum. Outros, no entanto, entendem que os mercados são sempre gerados de crises, promovendo, por conseqüência, uma convivência conflituosa com o aspecto social.
A partir disso, uns buscam construir uma economia civil (civil economy), enquanto outros pautam a realidade econômica apenas no lado mercantil. Os que defendem o mercado como elemento de construção da harmonia, entendem que sempre há e haverá sintonia do mercado com o aspecto social. Para os que se colocam numa posição contrária, o mercado dificilmente tende a promover a experiência da sociabilidade humana dentro da vida econômica normal. Para uns, a teoria econômica está correta em ser centralizada nas mercadorias – e no mercado; para outros, a base de fundamentação técnico-teórica da economia é a vida humana, com todas as suas manifestações: trabalho, lazer, bem-estar, bem viver, consumo, produção etc.
Dentro dessas manifestações emerge uma importante pergunta: afinal, qual é o horizonte da economia? Em nosso entendimento, o horizonte da economia é um só: a construção de uma nova sociedade.
Acontece que construir uma nova sociedade significa, pormenorizadamente, promover a libertação do homem - principalmente do jugo econômico. O certo é que só há possibilidade de se construir uma nova sociedade, caso “nasça” um “novo homem”. É nesse sentido que ganha relevância ímpar a relação entre a Teologia e a Economia.
Da relação dessas ciências, que para muitos pode não fazer sentido, dois aspectos se realçam. Se entendermos que os modos de pensar da teologia e da economia se afirmam para com as questões que envolvem o viver, teremos claro que não se pode furtar dos fundamentos implícitos localizados na seara teológica e também econômica. Quais são esses fundamentos e quais os dois aspectos de maior realce dessa relação entre a Teologia e a Economia?
Ora, para se viver é necessário produzir bens e serviços. Isso cabe, estritamente, à Economia. O segundo aspecto está relacionado à pobreza – em especial à condição de ser pobre.
Não percamos de vista que a Teologia, essencialmente, faz votos de luta em defesa dos pobres. São eles – e ninguém mais – a figura de principal preocupação dos estudos teológicos. Pois bem, do lado dos estudos econômicos, entra-se numa discussão de quem (ou do quê) gera pobreza. É certo, todavia, que a pobreza não é uma condenação divina, mas, antes, está eivada de condições econômicas que decidiram por sua existência. Na essência, isso significa dizer que ninguém é pobre por opção, mas todos os que são, assim são por forças econômicas impostas.
Logo, apenas e tão somente por esses dois aspectos, a relação entre a Teologia e a Economia deve ser cada vez mais salientada.
É interessante trazer aqui, nessa discussão, uma passagem do teólogo peruano Gustavo Gutierrez quando afirma que “ser cristão hoje na América Latina é preocupar-se com o lugar onde os pobres dormirão”. De igual monta, cabe adaptar essa contextualização para o aspecto econômico e se preocupar com o que os pobres comerão – se é que terão a oportunidade de comer algo.
Nessa mesma linha de pensamento, nosso dom Hélder Câmara certa vez disse que: “Quando dou comida para os pobres [eles] me chamam de santo. Mas, quando pergunto por que os pobres não têm comida [eles] me chamam de comunista”.
Sabemos muito bem quem são “eles” a quem dom Hélder se referia. Resta apenas fazer com que [eles] não atrapalhem mais a condução da economia para a realização de seu verdadeiro horizonte: construir uma nova sociedade.
(*) Economista e professor. Articulista dos sites “O Economista”, “Portal EcoDebate” e Agência Zwela de Notícias (Angola). Os artigos desse autor em torno de questões econômicas têm sido amplamente publicados no Brasil e no exterior, com destaque em Portugal, Cabo Verde, Timor Leste e Angola.
Contato: prof.marcuseduardo@bol.com.br

Postado pelo Professor João Beserra da Silva

sábado, 10 de abril de 2010

MÃE, QUERIDA MÃE-NATUREZA! – Terceira Parte

MÃE, QUERIDA MÃE-NATUREZA! – Terceira Parte

Professor João Beserra da Silva

É evidente que você sabe ser a Natureza um conjunto de sistemas e órgãos invisíveis e visíveis que funciona den-tro da mais perfeita ordem para que o equilíbrio seja patente na vida de toda a humanidade.

É claro que você sabe que a Natureza, a nossa Mãe-Terra – além da própria Terra, porquanto a Natureza extrapo-la a própria esfera, como o ar, a luz, e o calor solar que são componentes desta Natureza – obedece a um co-mando divino fielmente, sem fugir qualquer milímetro das regras básicas do ordenamento universal, sob pena de infringir aos homens pesadas perdas, com profundos reflexos no sistema global; sempre em consequência dos desmandos e da incúria dos homens, sobremodo dos governantes que são coniventes com todos aqueles que atacam a nossa Mãe-Terra.

A Natureza tem atrás de si, eis que nossos olhos físicos nesse sentido nada podem ver, uma organização perfei-ta, sob pacífica obediência a uma hierarquia plena de justiça e de sabedoria, a serviço do bem-estar e da feli-cidade do ser humano, na sua passagem por este plane-ta e de todo seu ecossistema. Tudo perfeito, ordenado, pródigo e bom, fluindo sempre para o serviço global de toda a humanidade, mas que cobrará sempre de todos tudo quanto lhe for roubado ou tirado que lhe furte o natural equilíbrio...

Essa, a Mãe-Natureza, tão importante para nós quanto a nossa mãe carnal, é desprezada pela maioria dos seres humanos. Quantos de seus filhos, ao longo de toda a sua existência terão parado para fazer essa reflexão? Você já houvera feito?
- Ah! Sim, uma ou outra vez, sem tanta profundidade ou tamanha importância, passando em seguida à omissão e ao comodismo... Por isso, porém predisposto ao sofri-mento em função da violência com que a Natureza cobra os descalabros humanos...
Leia na sequência a quarta parte desta reflexão... (Do li-vro “A Paz Mundial Começa em Cada Um de Nós” – Carta aos Poderosos do Mundo – 1ª. Edição 1987, de autoria de João Beserra da Silva

Professor João Beserra da Silva
Se se interessar por esse processo de mudanças, fale conosco e nos convide para uma palestra em sua em-presa ou em seu organismo social; ou, se detiver o poder público, em sua repartição, em órgão municipal, es-tadual ou federal. Para criar grupos de estudos em sua cidade, contate-nos:
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AME A NATUREZA

AME A NATUREZA
- 2 ª. PARTE - A MÃE, QUERIDA MÃE!
Professor João Beserra da Silva

E você, o que lhe deu? ...
Perceba uma constante presença de outra mãe, tão gran-diosa quanto a sua, que tudo fez para você e continua rea-lizando. Mas, que talvez para você passe por DESPERCE-BIDA e para muitos. Se a reconhece, Dificilmente tem feito com o valor que ela realmente merece.

Mesmo assim, quer ou não se mostre agradecido, ela está sempre presente na sua vida, desde o instante da sua con-cepção até a entrega dos seus restos mortais.

Sabe quem é ela?
Todo filho desta Terra veio de uma mãe e todo filho deste pequenino globo tem vida por ela ... Com certeza, você, um ser inteligente, grato, reconhecido e amoroso, está neste momento a sorrir marotamente, afirmando que sabe quem seja ela. Inclusive está a dizer que sempre lhe devo-tou a sua gratidão, tendo-a como autêntica e verdadeira mãe.

Para agradecer a magnificente Função de mãe, o filho de-veria erigir a todo instante um altar no seu coração, por toda a sua vida às mães e tributar - a sua, principalmente, - o maior preito de gratidão, sem importar se ainda aqui ou já no além.

As coisas e as pessoas de maior valor, muita vezes, só são lembradas e reconhecidas quando já se foram. Assim, o Ser Humano o faz com tudo na vida.

Parabéns! Você acertou! É realmente a Natureza, a Mãe-Terra! Mas, desculpe, qual o seu entendimento sobre o que seja a Natureza?

Leia na sequência a terceira parte desta reflexão ... (Do li-vro "A Paz Mundial Começa em Cada Um de Nós" - Carta aos Poderosos do Mundo - 1 ª. Edição 1987, de autoria de João Beserra da Silva)
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MÃE, QUERIDA MÃE-NATUREZA! – Primeira Parte

MÃE, QUERIDA MÃE-NATUREZA! – Primeira Parte

Professor João Beserra da Silva

Reflita sobe o papel da mãe, da sua, por exemplo, visto do ponto de vista do próprio filho. O que ela representa para você? Se já passou para o outro lado da vida, o que foi para você? Desde os tempos em que o (a) carregava no ventre e pelo curso inteiro da sua existência até re-ceber o prêmio da Luz Maior, se já partiu; mas, se ainda do lado de cá estiver, da mesma forma, pense quem é ela para você...
Tanto você que ainda tem a graça de tê-la aqui neste la-do, como quem já a tem do outro, ambos podem dizer muito sobre ela, do papel altamente significativo que sempre exerceu em sua vida e que missão grandilo-quente é a de mãe – da verdadeira mãe.
Mantenha, pois, a imagem da sua mãe na mente e de quantas outras que conhece e que merecem da sua par-te e de outros homenagem especial em expressão sim-ples, mas sincera de sua alma:
“Que mãe maravilhosa! Que Santa mãe! Quanto fez por mim e por meus irmãos! Que doação a sua vida!”

Leia na sequência a segunda parte desta reflexão....
(Do livro “A Paz Mundial Começa em Cada Um de Nós” – Carta aos Poderosos do Mundo – 1ª. Edição 1987, de au-toria de João Beserra da Silva)

Professor João Beserra da Silva
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